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Este blog apenas reporta a realidade, sem seguir cartilhas políticas ou ideológicas, nem apoia extremismos de esquerda ou direita.Não toma partido em questões geo-políticas(sem deixar de condenar crimes de Guerra) .

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31
Mar24

Globalismo ou Nacional-Populismo

O apartidário

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"Na sequência dos resultados eleitorais, a análise dos agentes políticos evoluiu para a teoria dos três blocos e da morte do bipartidarismo: o bloco da esquerda progressista, o da direita sanitária e o da extrema-direita. Os resultados eleitorais refletem, inequivocamente, uma consolidação da reconfiguração no sistema partidário, traduzindo o fim da era do bipartidarismo e a transformação da sua lógica de funcionamento, de centrípeta para centrífuga. No entanto, a tumultuosa eleição do Presidente da Assembleia da República revelou uma realidade distinta no que toca à configuração dos ditos blocos.
O primeiro a procurar tirar partido da renovada e consolidada geometria parlamentar foi o democrata de pacotilha Rui Tavares, porta-voz do partido Livre. O genial exigiu a Marcelo Rebelo de Sousa nova ronda de negociações com vista à formação do Governo. Defendia que o bloco da esquerda progressista, englobando todas as agremiações políticas à esquerda do Partido Social Democrata (PSD), estaria na vanguarda para governar. O objetivo dessa estratégia seria salvar o bloco da direita sanitária da influência perniciosa da extrema-direita, apesar do tal bloco progressista estar em minoria inequívoca. Entretanto, os últimos dias vieram aclarar a nova e real dinâmica.

A turbulenta eleição do Presidente da Assembleia da República confirmou a tese do perspicaz Rui Tavares. Efetivamente, os três blocos são uma realidade, porém, a sua constituição e visão ideológica diverge substancialmente daquela que o porta-voz do Livre sugere. O modelo, a matriz, a grelha de interpretação do mundo político ocidental, alicerçado na clássica dicotomia entre esquerda e direita, desmoronou. A tradicional divisão assente na organização económica cedeu lugar a um novo paradigma cujo âmago é a identidade. A gritante clivagem que se manifesta é entre globalistas e nacional-populistas, dado que é a identidade nacional a única com força para se opor à avalanche da “governança” global. 

Confrontada com o impasse, a corrente do liberal globalismo em Portugal optou por uma solução pouco inovadora: consensualizou-se dividir o mandato em períodos de dois anos, atribuindo os primeiros dois a Aguiar-Branco e, posteriormente, outros dois a Francisco Assis. Esta é uma prática estabelecida ao longo dos anos no Parlamento da União Europeia (UE), um dos mais infames centros do liberal globalismo, resultante do consenso entre os grupos políticos que o Partido Socialista (PS) e o PSD integram, respetivamente o Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) e o Partido Popular Europeu (PPE). O leitor não se engane: a atual elite política dominante na UE é vincadamente anti-nacional. O Chega destaca-se, inequivocamente, como o único partido com representação parlamentar que se posiciona em oposição ao globalismo. De facto, a defesa de uma “Europa das nações” traduz essa postura num ambiente de marcada clivagem identitária.

É possível descortinar três principais correntes globalistas. Em primeiro lugar, o liberal globalismo, que se evidencia por ser a corrente dominante. Em segundo, o comunismo internacional. Por último, temos o islamismo, quiçá a corrente menos sofisticadamente organizada. Mas o que é o globalismo? Poderá questionar o leitor. O globalismo é, grosso modo, uma doutrina política que defende a ideia de uma ordem mundial assente em instituições e organizações supranacionais robustas, capazes de exercer poder de decisão sobre questões declaradas globais, diminuindo assim a soberania e o poder de decisão dos povos e nações que compõem os Estados. Isto é, na visão dos globalistas a voz do povo português deve ser progressivamente silenciada em favor de burocratas e tecnocratas não eleitos.

Múltiplos comentadores e analistas políticos, seja por incompreensão do fenómeno ou pela interessada preservação da ilusão, insistem na tradução do cenário político ocidental através do clássico modelo de esquerda e direita, ou da falsa dicotomia entre forças democráticas e não-democráticas. Contudo, a realidade aponta para um paradigma distinto, no qual a clivagem se manifesta entre globalistas e nacional-populistas, uma divisão refletida na Assembleia da República através dos ditos três blocos. Estes não correspondem à esquerda progressista, direita sanitária e extrema-direita, são o comunismo internacional, o liberal globalismo e o nacional-populismo.

A aliança liberal globalista para a eleição do Presidente da Assembleia da República veio, para os mais atentos, evidenciar a nova clivagem. Tal paradigma tende a intensificar-se na medida do crescimento do nacional-populismo. Fiquemos atentos às pontes erguidas durante a XVI Legislatura, dado que a maior preocupação dos proponentes do liberal globalismo no país reside no risco de os eleitores reconhecerem que as semelhanças entre eles são muito maiores do que as diferenças."

Jorge Humberto Pinto no Observador (artigo Esquerda e direita já não existem) 

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